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Entendendo Atualizações de Resultados de Dados de Vida
É muito comum para engenheiros de confiabilidade atualizar seus
resultados de testes com novos dados de testes em andamento, ou
para melhorar seus resultados com informação de sistemas em
campo. Se o analista não for cauteloso na interpretação dos
resultados, ele ou ela pode facilmente cometer erros de
conclusão sobre a confiabilidade do produto. Neste artigo, nós
apresentaremos um cenário onde atualizar resultados de análises
de dados de vida pode gerar alguma confusão para o analista. A
proposta deste artigo é destacar o impacto que novos dados podem
ter em resultados de análises de dados de vida e mostrar um modo
de lidar com esta situação no
Weibull++.
O
Cenário
Um fabricante de aeronaves está procurando na confiabilidade de
um novo componente com tempo de missão entendido de 2.100 horas.
O engenheiro de confiabilidade tem dados de testes internos para
a versão beta e também tem coletado informações de
confiabilidade de clientes desta versão beta depois de 2.500
horas de uso, nos quais as falhas foram observadas.
A engenheira de confiabilidade, Lisa, decide usar uma
distribuição Weibull 2-parâmetros para analisar os dados. Uma
vez que existem relativamente poucos dados de falha e diversos
dados suspensos (30 unidades para cada cliente beta), ela decide
usar o Estimador de Máxima Verossimilhança (MLE) como o método
estatístico da análise para estes dados. O MLE usa os tempos
suspensos atuais, não apenas sua posição relativa em termos de
onde elas ocorreram em um conjunto de dados, como a rank
regressão faria. Os resultados da análise de dados de vida são
mostrados na Figura 1.

Figura 1: Folio com Dados de Testes Internos e Suspensões para
Testes da Versão Beta Após 2.500 Horas de Uso
Lisa usa então a Tábua de Cálculo (QCP) para obter a estimativa
de confiabilidade no tempo de missão de 2.100 horas, como
mostrado na Figura 2.

Figura 2: Estimativa de Confiabilidade em 2.100 Horas com Dados
Suspensos em 2.500 Horas
Baseado no conjunto de dados original, a confiabilidade em 2.100
horas é de 97,65%. Ela cria um relatório distribuindo esta
informação para sua organização.
Depois no processo, Lisa está pronta para atualizar o relatório
com novos dados para as versões beta. Ela coleta dados das
versões beta e vê que elas ainda não falharam em campo, com as
30 unidades beta tendo executado 7.000 horas acumuladas de tempo
de teste. Ela está esperando um aumento na confiabilidade
calculada, uma vez que existem maiores tempos acumulados e
nenhuma falha. Ela quer manter a análise consistente então ela
calcula novamente os dados de vida usando uma distribuição
Weibull 2-parâmetros usando MLE. A Figura 3 mostra os resultados
da análise de dados de vida com as 30 unidades beta ainda
operando em 7.000 horas.

Figura 3: Fólio com Dados de Testes Internos e Suspensões para
Unidades Beta em Teste após 7.000 Horas de Uso
Então ela usa o QCP para obter a estimativa de confiabilidade no
tempo de duração de 2.100 horas, como mostrado na Figura 4.

Figura 4: Confiabilidade Estimada em 2.100 Horas com Dados
Suspensos em 7.000 Horas
Para a sua surpresa, a nova confiabilidade estimada é agora de
95,61%, a qual é menor do que a estimada anteriormente de
97.65%. como isto é possível? As unidades beta não exibiam
quaisquer falhas e possuem mais horas acumuladas. A
confiabilidade deveria ser maior.
Explicação
Isto é um típico problema de observação dos dados isolados e não
de entendimento do impacto da seleção no modelo. Usando uma
distribuição Weibull 2-parâmetros, o modelo e os parâmetros são
recalculados ambos em termos de um parâmetro beta, o qual indica
a inclinação do gráfico de probabilidade Weibull, e o parâmetro
eta, o qual é a vida característica do componente (i.e. o
tempo estimado no qual 63,2% dos componentes falharão).
Se você observar mais de perto os seus dados, você verá que
ambos os parâmetros de beta e eta são diferentes nos resultados
originais e atualizado. A inclinação foi alterada de 5,0151 para
1,5634, e o parâmetro eta foi alterado de 4.427 para 15.280. A
Figura 5 mostra um MultiGráfico de duas distribuições Weibull.
Antes do ponto no qual as duas linhas de probabilidade cruzam
uma com a outra, a análise atualizada (mostrada em azul)
demonstra baixa confiabilidade. Depois das linhas se cruzarem, a
análise atualizada demonstra alta confiabilidade. Uma vez que o
tempo de missão é de 2.100 horas, e este tempo está antes das
duas linhas se encontrarem, as análises atualizadas resultam em
um baixa confiabilidade estimada para 2.100 horas.

Figura5: Gráfico
de Probabilidade Weibull das Análises Original e Atualizada
Solução
Não há erro inerente com os MultiGráficos mostrados na Figura 5.
O analista necessita apenas entender o impacto da re-estimativa
de uma probabilidade baseada nos dados. O número de parâmetros
que seriam usados podem permitir diferentes “graus de
liberdade” para alterar a linha em ambos os termos de
inclinação e interceptação.
Se Lisa queria criar e atualizar um relatório refletindo o
progresso usando o dados suspensos de sites beta, uma possível
solução seria sobrepor ambos os gráficos de probabilidades.
E neste caso, uma boa estimativa da inclinação real envolverá os
dados de testes originais e um bom julgamento do engenheiro em
termos de expectativa do comportamento da taxa de falha.
Lembre-se que um alto beta pode significar desgaste, enquanto um
beta próximo de 1 pode indicar um tipo de falha aleatório,
causada por limitações de projeto, eventos externos, etc. Um
beta menor do que 1 indica falhas prematuras, tais como aquelas
causadas por erros de detecção, problemas de fabricação ou
problemas durante a montagem ou armazenamento.
O conjunto de dados internos original, excluindo as 30 unidades
suspensas a partir de versões beta dos clientes, é calculado
usando uma distribuição Weibull 2-parâmetros e uma Rank
Regressão em X (RRX), uma vez que os dados estão agora completos
(tempos exatos até falha) e este é um conjunto pequeno de dados.
Para fins de comparação, os dados são também analisados usando
MLE, e a Figura 6 mostra um MultiGráfico dos dois métodos, onde
a linha preta representa a análise RRX e a linha azul representa
a análise MLE.

Figura 6: Gráficos de Probabilidade Weibull Incluindo Somente
Dados de Testes Internos, Usando MLE e RXX
Usando julgamento de engenharia sobre a natureza dos modos de
falhas esperados, um beta seria escolhido para ser usado para
todas as análises adicionais. Neste caso, isto seria apropriado
para aceitar a estimativa mais conservadora de beta. Uma vez que
a duração da missão é de 2.100 horas, um pequeno beta produziria
mais falhas naquela região. Neste caso, o beta do RRX de 2,8219
é escolhido.
Depois de escolhido um valor de beta, toda análise atualizada
com novos dados suspensos podem ser realizadas pela
sobreposição deste valor de beta no conjunto de dados. Neste
caso, uma distribuição Weibull 1-parâmetro seria usada e o valor
de beta seria fornecido, como mostrado na Figura 7 para um
conjunto de dados incluindo as suspensões de 2.500 horas.

Figura 7: Sobreposição de um Valor do Parâmetro Beta dentro da
Análise
O mesmo processo seria usado nas análises incluindo as unidades
de versões beta de clientes suspensas em 7.000 horas. Usando
este processo fica assegurado que a inclinação permanece a mesma
em dois conjuntos de dados, tornando-se mais fácil a realização
comparações, como mostrado no Multigráfico da Figura 8.

Figura 8: Gráfico de Probabilidade Weibull das Análises Original
e Atualizada com o Mesmo Beta Sobreposto
As Figuras 9 e 10 mostram os novos valores calculados de
confiabilidade em 2.100 horas. O conjunto de dados com as 30
unidades suspensas em 2.500 horas exibe uma confiabilidade de
91,44% e o conjunto de dados com as unidades suspensas em 7.000
horas mostra uma confiabilidade de 98,96%. O aumento obtido pela
adição de mais horas das unidades suspensas está agora mais
evidente.

Figura 9: Confiabilidade Estimada em 2.100 Horas com Dados
Suspensos em 2.500 Horas e Beta Sobreposto

Figura 10: Confiabilidade Estimada em 2.100 Horas com Dados
Suspensos em 7.000 Horas e Beta Sobreposto
Conclusão
Quando atualizamos dados de vida depois de uma análise anterior,
é importante entender o impacto da escolha do modelo e do método
de análise estatística sobre o resultado. Uma boa prática é
observar os gráficos de probabilidade ao invés de entender o
comportamento total do modelo. Quando a análise e atualizações
adicionais são realizadas sem examinar o comportamento geral do
modelo estatístico, conclusões erradas podem ser tiradas. |