Reliability HotWire

Edição 40, Julho 2008

Assunto Hot

Manutenção Condicional Usando Intervalo P-F ou Ponto Inicial da Detecção de Falha (FDT)

A manutenção Condicional depende da capacidade de detectar falhas antes que elas aconteçam, para que a manutenção preventiva possa ser iniciada. Muitos modos de falha apresentam sinais evidentes quando estão prestes a ocorrer. Se, durante uma inspeção, a equipe de manutenção puder encontrar provas de que o equipamento aproxima-se do final de sua vida, então poderá ser possível atrasar a falha, impedí-la de acontecer ou substituir o equipamento de forma convenientemente e rápida, não permitindo que a falha ocorra e cause conseqüências graves. Este artigo explica a metodologia, usando o Weibull++ 7, para estimar o Intervalo P-F ou a Detecção Inicial de Falha (FDT), no qual existem duas maneiras típicas de descrever a detectabilidade da falha. Ainda, neste artigo será mostrado como usar as informações de detectabilidade na análise de sistemas reparáveis usando BlockSim 7 ou RCM++ 4.

Conceito
Na arena da Manutenção Centrada em Confiabilidade ou na análise de sistemas reparáveis, uma das estratégias utilizadas para o gerenciamento das falhas é a manutenção condicional. Esta estratégia confia na capacidade da equipe de manutenção para detectar falhas em potencial a fim de ordenar ações apropriadas. Exemplos de sinais de falha que podem ser detectadas são vibrações, rachaduras, gotas de óleo, temperatura, ruído, viscosidade, cor, etc. Muitas tecnologias tem sido desenvolvidas para monitorar características de falha como análises de vibração, Raio-X, Radiografia, ultra-som, termografia infravermelha, análise de óleo, emissão acústica, etc.

Curvas P-F e Intervalos P-F
Uma curva comum que ilustra o comportamento do equipamento conforme este se aproxima da falha é a curva P-F. A curva demonstra que conforme uma falha começa a se manifestar, o equipamento deteriora-se ao ponto em que ela pode possivelmente ser detectada (P). Se a falha não é detectada e acompanhada, continua ocorrendo até que uma falha "dura" ocorra (F). O intervalo entre P e F, geralmente chamado de intervalo P-F, é a grande oportunidade durante uma inspeção que pode detectar a falha iminente e dirigir-lhe as ações necessárias. Intervalos P-F podem ser medidos em qualquer unidade associada com a exposição ao stress (tempo de uso, ciclos, milhas, etc.) Por exemplo, se o Intervalo P-F é de 200 dias e o item vai falhar com 1000 dias, a aproximação da falha começa a ser detectável em 800 dias.
 


Ponto Inicial da Detecção de Falha (FDT)

Além dos intervalos P-F, a indicação de quando a aproximação da falha vai se tornar detectável durante as inspeções pode ser específica usando um fator chamado de Ponto Inicial da Detecção de Falha (FDT). FDT é um número entre 0 e 1 que indica a porcentagem da vida de um item que deve decorrer antes que uma falha a caminho possa ser detectada. Por exemplo, se o FDT é 0.9 e o item vai falhar com 1000 dias,a falha á caminho torna-se detectável após 90% de sua vida decorrida, que - traduzindo - decorre a 900 dias neste caso (09.*1000=900).

Estimando o Intervalo P-F ou FDT
O intervalo de P-F ou FDT pode ser estimado usando o julgamento e a experiência de quem projetou, manufaturou e/ou operou o equipamento. Observe que o Intervalo P-F ou FDT deve ser estimado em um modo de falha por vez.

Muitos mecanismos de falha podem ser diretamente ligados à degradação de parte do produto.  O Weibull++ 7 Folio de Análise de Degradação permite a análise dos dados de degradação. Análises de degradação envolve a medição da degradação dos dados de performance/qualidade que podem ser diretamente relacionados às falhas presumidas do produto em questão. Assumindo que dados podem ser obtidos, o FDT ou Intervalo P-F pode ser estimado usando esta técnica.

Para ilustrar o uso deste método, usaremos como exemplo uma companhia de refinaria de óleo que realizou um estudo sobre problemas de obstrução nos tubos de sua produção. Um equipamento de inspeção que utiliza raios gamma para medir a espessura da obstrução foi passado pelo lado de fora do tubo. Este é um método não-intrusivo confiável. Também foi identificado um "aviso" no nível de degradação de obstrução de 3.5 polegadas. Se a espessura da obstrução for maior, igual ou maior que 3.5 polegadas, é considerado um claro sinal de falha eminente (isto é equivalente ao ponto "P" na curva de P-F)

O próximo conjunto de dados mostra a medição da espessura em função do tempo, com diferentes tempos de inspeção. Os tempos de falha para cada unidade observada foram também registrados (se as falhas não são observadas, podem ser estimadas usando análise de degradação). A figura abaixo mostra as medições (em meses) inseridas no Folio de Análise de Degradação.
 


A primeira etapa nesta análise é especificar um modelo de degradação ajustado aos dados observados. Para este tipo de modo de falha, foi determinado que o modelo de degradação exponencial é um modelo apropriado (a escolha do modelo de degradação vem de uma física na compreensão da falha, de como a degradação da performance/qualidade progride sobre o tempo). Depois que os parâmetros do modelo de degradação são calculados para cada unidade observada, os modelos podem ser usados para estimar os tempos que correspondem ao limite de aviso de espessura. Isto é feito configurando o campo Degradação Crítica na guia Main do Painel de Controle para 3.5. Usando o modelo ajustado de degradação, os valores de tempo equivalentes ao limite de aviso da espessura são calculados (para ver estes valores de tempo, depois de calculado, clique no ícone ... no Painel Valores Extrapolados na guia Principal do Painel de Controle.) A seguir será exibido um gráfico de degradação vs. tempo com a espessura de falha e os limites de aviso rotulados.
 


A Tabela 1 demonstra os tempos estimados "P" e "F" além dos valores de intervalo P-F ou FDT para cada unidade observada. Os valores do intervalo P-F ou FDT para cada unidade observada usa as seguintes equações:

 


Intervalo P-F = F – P

FDT = P/F

Tabela 1 – Resultados de P e F para cada tubulação observada junto com o intervalo P-F e o FDT calculados.

Unidade Aviso (P) Tempo de Falha (F) Intervalo P-F FDT
A01 11.33 13.5 2.17 0.84
A02 11.05 14 2.95 0.79
A03 12.19 14.5 2.31 0.84
A04 15.90 18.5 2.60 0.86
A05 13.34 15.7 2.36 0.85
         
    Média 2.48 0.84

A média dos valores do intervalo P-F e FDT mostrados acima pode ser usada como o intervalo final P-F e a estimativa do FDT (você pode também usar valores medianos).


Usando Intervalo P-F e FDT na Modelagem de Sistema
Depois de estimar os intervalos de P-F ou os valores FDT que descrevem a detectabilidade das falhas, o analista pode utilizar estes valores para analisar a confiabilidade e a disponibilidade e/ou selecionar a estratégia de manutenção apropriada para o equipamento. Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM) e análises de sistema usando Diagramas de bloco de confiabilidade (RBD) são duas aproximações típicas para a análise de sistemas reparáveis.

As próximas duas figuras mostram como os intervalos P-F ou os valores FDT podem ser especificados na janela Propriedades de Tarefa de Manutenção no RCM++ ou na janela Propriedades do Bloco no BlockSim.
 


 


Perceba que para usar manutenção condicional no BlockSim, você precisa realizar os seguintes passos:

  • Especifique uma Rotina de Inspeção que dite quando o bloco será inspecionado.

  • Especifique os valores do intervalo de P-F ou FDT que descrevem a detectabilidade da falha para o bloco.

  • Especifique uma Rotina de Manutenção Preventiva para que a manutenção preventiva possa ser realizada no bloco. Dado que nenhuma outra manutenção corretiva é exigida neste exemplo, é necessário criar uma Rotina de Manutenção Preventiva que garante que a manutenção preventiva não ocorra, a menos que seja disparada pela detecção de falha durante a inspeção. Algumas opções para criar tal rotina inclui especificar que a manutenção preventiva vai ocorrer em um dos seguintes tempos:

    • Sob a manutenção de um outro item de grupo - neste caso, deixe o padrão de 0 para o Número do grupo do bloco. Um grupo 0 indica que o bloco não faz parte de um grupo, então não há nenhum outro item de grupo e a manutenção preventiva, consequentemente, não ocorrerá independentemente.

    • No início de uma fase de manutenção - porque este exemplo inclui apenas uma fase operacional, isso não vai ocorrer independentemente.

    • Sob intervalos de tempo fixos baseados na idade do sistema - neste caso, especifique um intervalo maior que o tempo da simulação para garantir que a manutenção preventiva não ocorra independentemente.

Estimando a Eficiência dos Intervalos de Inspeção
Se as inspeções são realizadas frequentemente, os custos devido as inspeções serão elevados, mas assim serão evitadas falhas em potencial. Por outro lado, se inspeções são realizadas raramente, os custos devido a inspeção serão muito baixos, tanto quanto a probabilidade de detectar falhas potenciais. Na prática, os intervalos de inspeção que são iguais a metade do intervalo P-F são consideradas adequadas. O tempo necessário para realizar uma ação também precisa ser considerada para garantir que um horário amplo seja alocado para os reparos. A severidade da falha também pesa na decisão sobre a freqüência do intervalo de inspeção. 

BlockSim 7 e RCM++ 4 permitem que o analista avalie o impacto do uso de um certo período de inspeção no componente e no sistema. O impacto pode ser descrito baseado em diferentes critérios como disponibilidade, uptime e lucro. Vários intervalos de inspeção podem ser comparados e o ótimo intervalo de inspeção pode ser determinado.

Conclusão
Este artigo explicou como a detectabilidade das falhas expressas por intervalos P-F ou FDT podem ser estimadas baseados nos dados de degradação. Mostrou também como tal informação pode ser incorporada na análise de sistemas reparáveis no BlockSim ou no RCM++.

Referências

1. Moubray, John, Reliability-Centered Maintenance, Industrial Press, Inc., New York City, NY, 1997.

 

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