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Reliability HotWire

Edição 35, Fevereiro 2008

Hot Topics
Passos Básicos de Aplicação da Manutenção da Confiabilidade Centrada (RCM) - Parte I

No tópico Assunto Hot desta edição você pode ver a filosofia e as perspectivas que a metodologia da Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM) traz para o campo na manutenção. Este artigo agora inicia a apresentação do processo de análise de sistemas que é utilizado na implementação de um programa de RCM.

Embora há uma grande variedade nas aplicações do RCM, a maioria dos procedimentos incluem alguns ou todos os setes passos exibidos a seguir:

  1. Preparações iniciais.
  2. Selecionar o equipamento a ser analisado.
  3. Identificar funções.
  4. Identificar falhas funcionais.
  5. Identificar e Avaliar (Categorizar) os efeitos da falha.
  6. Identificar as causas da falha.
  7. Selecionar as Tarefas de Manutenção.

Este artigo discutirá os três primeiros itens, que são passos preliminares que necessitam ocorre quando começar um projeto de análise RCM.

1- Preparações Iniciais
Montando o Time

Como em quase todos projetos, alguns trabalhos preliminares e planejamentos meticulosos são requeridos antes de se iniciar uma análise de RCM. Uma das primeiras etapas no procedimento da análise é montar a equipe apropriada com profissionais com conhecimento para executar a análise. A equipe deve ser formada por profissionais de diversas áreas de interface direta e/ou indireta com o assunto que será analisado (equipe multifuncional). O tamanho da equipe deve ser adequado (tipicamente 4 ou 5 pessoas) mas não demasiadamente grande -- "muitos cozinheiros trabalhando junto estragam a sopa." Ao menos um profissional da área de manutenção deve fazer parte do grupo. O RCM é um processo que possui múltiplos aspectos  e requer uma compreensão completa dos recursos que estão sendo considerados na análise (ex. a finalidade dos recursos e o impacto de seu mau funcionamento). O objetivo é recolher conhecimento e experiência suficiente para uma análise eficaz sem desperdiçar recursos valiosos e/ou fazer reuniões desnecessárias.

Um facilitador é recomendado para assegurar que a análise de RCM seja realizada corretamente, e que nenhum item importante seja negligenciado e que as análises sejam realizadas corretamente. Um facilitador também media as diferentes opiniões entre os membros da equipe e ajuda a alcançar o consenso de forma organizada. Ele também é o responsável por manter o compromisso dos membros mantendo-os engajados no projeto.

Estabelecendo as regras fundamentais e discutindo um plano
I
dentificando e documentando as regras fundamentais e as suposições que serão seguidas durante o trabalho, podem facilitar o processo de análise, certificando-se de que todos os membros da equipe compreenderam e aceitam as condições. Os pontos a serem discutidos na preparação da RCM pode incluir ajustes nos objetivos do trabalho, para focá-los aos objetivos empresariais. Deve se analisar os recursos requeridos para realizar o trabalho, tais como:

  • O prazo

  • O orçamento

  • A documentação de apoio

  • A definição do formato em que será gerado os relatórios e resultados (devem estar de acordo com os procedimentos internos da empresa)

  • A disponibilidade da equipe (Muito Importante! Principal fator de insucesso de trabalhos já realizados)

  • A ferramentas necessárias

  • Consultores

  • Softwares de análise

  • Estrutura adequada para as reuniões (ex. sala, datashow, flip chart, computador com software de analise, etc)

  • Prever, tanto quanto possível - (sem exagerar!) -, os obstáculos que podem aparecer durante o trabalho (resistência da empresa, falta de comprometimento, falta de dados, burocracia, falta de liderança e de compromisso, etc.)

Não esqueça de documentar toda esta etapa.

2- Selecionando o equipamento a ser analisado
Escopo da análise
O time RCM deve definir a abrangtência da análise
(ex. item, componente, subsistema, sistema ou planta). Recomenda-se iniciar a análise RCM pelo nível sistema, pois fica mais fácil, a partir deste ponto, iniciar a expandir suas análises, análise top-down. Normalmente, sistemas são um ponto de início lógico para a análise. Como a metodologia RCM é focada em preservar a função do equipamento, executar a análise a partir do nível sistema (análise top-down), onde as funções são normalmente derivadas, faz com que o trabalho seja realizado mais rápido por estar seguindo o bom senso. Focar o trabalho RCM nos níveis abaixo do sistema (ex.componentes) limita a análise e faz com que os itens fiquem  desconectados em relação à visão ampla do sistema, principalmente quando o componente suporta várias funções. Também, comparar modos de falha e priorizar recursos, torna-se mais útil e praticável se a análise se iniciar pelo nível do sistema do que pelo nível componente, o qual pode possuir alguns modos de falha. Por outro lado, analisar uma planta inteira, pode gerar uma carga de trabalho exagerada e tornar a análise gigantesca fazendo com que o trabalho se pare pela metade por falta de profissionais ou por desânimo devido à demora na obtenção de resultados práticos.

A sugestão para começar a análise ao nível do sistema nem sempre pode valer para todos os casos. Dependendo da complexidade do sistema, obstáculo e outros fatores, que podem ser específicos à sua aplicação e estrutura, outros pontos de início podem ser mais apropriados.

Limites do Sistema
Selecionar o equipamento que será analisado também envolve a definição dos limites do sistema. Definir os limites do sistema auxilia na especificação precisa do que deve estar incluído ou não no sistema, e uma lista precisa contendo todos os componentes pode ser criada de maneira a não haver nenhuma sobreposição com componentes de outros sistemas (especialmente sistemas vizinhos ou sistemas afetados por componentes de outros sistema). Ainda mais importante, os limites ajudam determinar as entradas, saídas e funções do sistema.

Descrição do Sistema
Uma vez selecionado o equipamento a ser analisado, é a hora de descrevê-lo. É necessário identificar e documentar os detalhes essenciais do sistema para poder executar os próximos passos de maneira correta e "saudável". Descrever os sistemas auxilia na compreensão geral do mesmo. Uma descrição do sistema bem documentada fará com que exista um registro do sistema base utilizado durante a época em que foi realizada a análise (isto será também útil por que sistemas podem ser atualizados ou modificados com o tempo). A descrição do sistema também pode  assegurar que o analista identifique os parâmetros críticos de projeto e de operação que servirão de base para o delineamento da degradação ou perda das funções requeridas pelo sistema.

A descrição do sistema pode incluir:

  • Diagrama de blocos funcionais
  • Hierarquias e desdobramentos dos componentes
  • Interfaces de entrada/saída
  • Esquemas elétricos
  • Condições ambientais
  • Especificações de projeto
  • Históricos dos equipamentos (especialmente informações sobre falhas e eventos)
  • Definição da "falha" que será seguida durante a análise
  • Manual de operação
  • Atual plano de manutenção
  • Especificações de ambiente operacional para o equipamento
  • Algumas suposições que possam afetar a análise

Selecionar o Equipamento
Uma vez que a abrangência da análise tenha sido estabelecida, o sistema candidato que será beneficiado por um novo programa de manutenção deverá ser identificado e priorizado. Vários critérios podem ser utilizados para se determinar os benefícios obtidos pela manutenção, tais como:

  • Segurança
  • Considerações Legais e Econômicas
  • Impacto no Meio Ambiente
  • Etc...

Existem vários métodos de seleção de equipamentos. Uma abordagem seria avaliar os registros de manutenção (quantidade de falhas, horas de interrupção, alto lucro cessante, problemas de segurança, etc.) para um dado período (ex.1 ou 2 anos). Os históricos mostram 80% dos problemas em uma planta ou sistema podem ser atribuídos a pouco mais de 20% dos "jogadores vitais". Portanto utilize esta regra (80/20) para estabelecer as prioridades em sua planta antes de decidir sobre o plano de ataque.

Outra abordagem seria aplicar uma série de questões pré-definidas. A seguir apresentamos, como exemplo, as questões pré-definidas pela norma  MSG-3, utilizado pela industria aérea:

  • Poderia a falha ser não detectável ou provavelmente não seria detectada pela tripulação durante suas atividades normais?
  • Poderia a falha afetar a segurança (em solo ou em vôo), incluído sistemas de segurança/emergência ou equipamentos?
  • Poderia a falha ter impacto operacional significativo?
  • Poderia a falha ter impacto financeiro significativo?

Respondendo "Sim" para pelo menos uma das perguntas acima, é requerido uma análise detalhada do equipamento.

Outra abordagem, é a utilização do método denominado de Fator Crítico, o qual consiste de uma série de fatores projetados para avaliar a criticidade do equipamento em termos de segurança, manutenção, operacional, impacto ambiental, controle de qualidade e outros fatores. Cada fator é classificado conforme uma escala pré-definida (ex. de 1 a 5 ou de 1 a 10) onde avaliações mais elevadas indicam criticidade mais elevada. O valor de criticidade pode então ser ordenado para se definir a priorização ou ser comparado com um valor de referência, e assim apoiar a definição de quais equipamentos farão parte da análise de RCM.

Qualquer método (ou combinação dos métodos) selecionado, tem como objetivo fornecer uma abordagem sistemática para focar os recursos da análise de RCM no equipamento que fornecerá o maior benefício e assegurará maior retorno do investimento.

3- Identificando Funções
Já que o objetivo principal do RCM é "preservar a função do sistema", o grupo (responsável por executar a RCM) deve se encarregar de definir a lista completa de funções do sistema. As funções do sistema guiará, consequentemente, à definição das funções requeridas dos equipamentos que suportam o sistema. É aconselhável iniciar a definição da função com um verbo, exemplo, "para bombear água", "para transportar minério", etc. É muito importante especificar os níveis aceitáveis de desempenho, como exemplo, "para bombear água - mínimo de 200 litros/hora", "para transportar, entre 1400 e 1500 toneladas/hora, de minério)". Descrever funções somente utilizando informações qualitativas é um erro normalmente observado na condução de trabalhos de RCM (bem como na FMEA/FMECA).

A definição quantitativa deve ser utilizada sempre que possível, entretanto em alguns casos, não existe outra maneira se não utilizar somente a descrição qualitativa da função, como exemplo, funções estéticas são difíceis de se definir com exatidão, podendo ser descritas como  "aparência adequada" ou "visual atrativo"; entretanto,tem que haver uma compreensão e um consenso comum sobre o que tais definições significam.

Algumas definições de funções são absolutas (ex. "Reter líquidos", onde nenhum vazamento é aceitável) enquanto outras são variáveis (ex. "Remover partículas não desejáveis, de 100 mícron, do ar."). A equipe de RCM deve ser cuidadosa na utilização de definições absolutas quando uma definição variável for mais apropriada.

Conclusão
Este artigo apresenta três passos básicos e importantes para a execução correta de uma RCM. Na próxima edição da Hotwire serão apresentados os passos restantes (passos 4 a 7).

Referências
Norma ATA MSG-3 "Operator/Manufacturer Scheduled Maintenance Development," atualizada em Março de 2003.
Moubray, John, Reliability-centered Maintenance, Industrial Press, Inc., New York City, NY, 1997.
Nowlan, F. Stanley and Howard F. Heap, Reliability-Centered Maintenance. Publicada em Dezembro de 1978.
Norma SAE JA1012 “A Guide to the Reliability-Centered Maintenance (RCM) Standard,” publicada em Janeiro de 2002.
Smith, Anthony, Hinchcliffe, Glenn R., RCM - Gateway to World Class Maintenance, Elsevier Inc, Burlington, MA, 2004.

 

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Última Alteração: 17-10-06
 

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