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Reliability HotWire: eMagazine for the Reliability Professional
Reliability HotWire

Edição 29, Julho 2007

Conceitos de Confiabilidade
Passos Básicos para aplicar Confiabilidade Centrada na Manutenção  (RCM) – Parte I

Em edições anteriores da Reliability HotWire abordamos a filosofia e a perspectiva que a Confiabilidade Centrada na Manutenção (RCM) traz para o campo da manutenção. Este artigo começa apresentando o processo de análise do sistema que é usado para implementar o programa RCM.

Embora exista uma grande variedade de aplicações do RCM, a maioria dos procedimentos incluem alguns ou todos os sete passos mostrados abaixo:

  1. Preparação para a Análise
  2. Seleção do equipamento a ser analisado
  3. Identificar Funções
  4. Identificar Falhas Funcionais
  5. Identificar e Avaliar (Categorizar) os efeitos de Falhas
  6. Identificar a causa das Falhas
  7. Selecionar tarefas de Manutenção

Este artigo irá discutir os três primeiros itens, os quais são os passos preliminares que precisam ocorrer para empreender o Projeto de Análise RCM.

1- Preparação para Análise
Preparando uma Equipe

Como em quase todo projeto, alguns trabalhos preliminares e um planejamento meticuloso serão exigidos antes de se iniciar uma Análise RCM. Uma das primeiras etapas  no procedimento da análise é montar uma equipe apropriada de indivíduos conhecedores para executar a análise. As equipes de análise mais eficientes e efetivas são multifuncionais, com representantes específicos para as diversas áreas. O tamanho adequado da equipe poderia ser (tipicamente de 4 a 5 pessoas) porém acima disso já não é recomendável. Pelo menos um responsável da manutenção deve fazer parte do grupo.RCM é um processo diferenciado que exige uma compreensão dos recursos, sendo considerados pelo RCM a finalidade dos recursos e o impacto de mau funcionamento dos mesmos. O objetivo é formar uma equipe de profissionais qualificados para uma análise efetiva sem deixar de lado recursos valiosos e/ou fazer reuniões incontroláveis.

Um facilitador é recomendado para assegurar que a Análise de RCM seja realizada de maneira adequada, para que nenhum item importante seja negligenciado e para que os resultados das Análises sejam gravados corretamente. Um facilitador também controla assuntos entre os membros da equipe e ajuda os a alcançar um consenso de uma forma ordenada assim como a retenção do compromisso dos membros e a permanência deles de forma acoplada.

Estabelecendo Regras e Discutindo Planos
Identificar e Documentar regras e suposições que serão seguidas durante a análise pode facilitar o processo de análise certificando-se que todos membros da equipe de análise tenha entendido e concordado com as condições de análise estabelecidas. Os assuntos a serem discutidos na fase de preparação do projeto podem incluir o estabelecimento dos objetivos do Projeto RCM, assuntos controlados pelo responsável do projeto e recursos exigidos para realizar o projeto (tais como programação e orçamento, procedimento de reuniões, relatórios, como fazer recomendações,mão-de-obra, ferramentas, consultores, softwares e salas de reuniões) e a previsão, tanto quanto possível mas sem surpresas com os obstáculos que irão surgir durante o projeto (resistência da companhia e corte de compras, falta de dados, burocracia, falta de liderança e compromisso, etc). Desenvolver um plano com visão viável para o futuro e guiá-lo é a missão!

2- Seleção do Equipamento a ser Analisado
Espaço de Análise
 A equipe RCM tem que enxergar uma decisão sobre o nível de recursos em que a análise deve ser conduzida
(ex.partes, componentes, subsistema, sistema ou planta) e se planta/facilidades deve ser considerada pelo RCM. Considerar o início de sua Análise RCM a nível de sistema é um bom começo para depois então expandir a análise a partir desse ponto.Tipicamente, o sistema é considerado um ponto de partida lógico para as análises desde que eles contribuam na construção dos blocos para plantas/facilidades.Devido RCM está focado na preservação da função do equipamento, executar a análise a nível de sistema, onde geralmente as funções são derivadas é um bom caminho. Centrar-se em níveis  abaixo do nível de sistema (ex. componentes) limita a visibilidade para as análises e enfatiza o significado da Falha, especialmente quando componentes suportam múltiplas funções. Outro fator também seria comparar modos de falhas e tornar recursos prioritários mais úteis e práticos se a análise começar mais a nível de sistema do que de componente,os quais podem ter somente alguns modos de falha.

A sugestão de começar a análise a nível de sistema pode não funcionar para todo mundo, é claro. Dependendo da complexidade do sistema, confinamentos e outros fatores que podem ser únicos para sua aplicação e recurso, outros níveis serão mais apropriados para serem um ponto de partida.

Limites do Sistema
Selecionar o equipamento a ser analisado também envolve definir os limites do sistema.Definir limites do sistema ajuda especificar precisamente o que está incluído ou não no sistema de modo que uma lista exata e completa de componentes possa ser identificada visto que uma sobreposição com listas de componentes de outros sistemas (especialmente sistemas adjacentes ou sistemas afetados por componentes em outros sistemas)pode acontecer. Mais importante ainda é que os limites ajudam a determinar entradas, saídas e funções do sistema.

Descrição do Sistema
Uma vez que o equipamento a ser analisado foi selecionado então é hora de descrevê-lo. Identificar e documentar os detalhes essenciais do sistema é necessário a fim de executar as etapas restantes de uma maneira tecnicamente sadia. Descrever o sistema ajuda os analistas a obterem um conhecimento compreensível do sistema. Uma descrição bem documentada do sistema irá ajudar  a gravar uma definição exata de base de linha do sistema como foi durante a análise (isso também é útil porque o sistema pode ser atualizado e modificado com o tempo).Uma descrição do sistema pode também assegurar que o analista identificou um projeto crítico e parâmetro operacionais que podem ser um ponto chave em delinear a degradação ou perda de funções exigidas pelo sistema.

Descrições de Sistema devem incluir:

Diagrama de Blocos Funcionais, hierarquias e componentes defeituosos, interfaces de entrada/saída, diagramas esquemáticos elétricos, condições ambientais, especificações de projeto, histórico de equipamentos (especialmente informações relacionadas as Falhas), definições de falhas que serão seguidas durante as análises, manual de operações, planos de manutenções anteriores, especificações do ambiente operacional para equipamentos e qualquer suposição que poderá afetar a análise.

Seleção do Equipamento
Uma vez estabelecido o nível da análise, o sistema do candidato que tiraria proveito da maioria dos programas de manutenção  será identificado e priorizado. Vários critérios, tais como segurança, considerações econômicas e legais podem ser usados para determinar os benefícios obtidos da manutenção.

Vários métodos de seleção de equipamentos estão disponíveis.Uma opção seria avaliar registros de manutenção (número de falhas, horas de indisponibilidade, custo de perda de produção, problemas de segurança,etc) para períodos estabelecidos (ex. 1 ou 2 anos). A regra 80/20 indica que a maioria (80%) dos problemas em plantas ou sistemas podem ser atribuídos em alguns (20%) aos equipamentos vitais, por isso é importante priorizar assuntos em suas plantas antes de colocar o plano em prática.

Outra opção seria aplicar um método de seleção de perguntas predefinidas , por exemplo a diretriz MSG-3 (utilizada nas indústrias de aviões) propôs quatro perguntas:

  • Seria possível não identificar ou improvável, detectar falhas pelo grupo operacional durante atividades normais de execução?
  • A falha poderia afetar a segurança (na terra ou no vôo) incluindo equipamentos ou sistemas de segurança/emergência?
  • A falha poderia ter um impacto operacional significante?
  • A falha poderia ter um impacto econômico significante?

Responder "Sim" a pelo menos uma das perguntas acima exige uma análise detalhada do equipamento.

Outro método, chamado Método do Fator Criticidade, consiste  em delinear fatores de projeto para avaliar a criticidade do equipamento em termos de segurança, manutenção, operações, impactos ambientais, controle de qualidade e outros fatores. Cada fator é avaliado de acordo com uma escala predefinida  (ex. 1 a 5 ou 1 a 10) onde maiores valores correspondem criticidades elevadas. Os valores de criticidade combinados podem ser usados como um sistema de classificação para diferentes tipos de equipamentos ou para ser comparado com um ponto inicial a fim de decidir se o equipamento será então parte da Análise RCM.

Independente do método (ou combinação de métodos) selecionado, o objetivo das tarefas é fornecer uma aproximação sistemática para focar os recursos de Análise RCM no equipamento que fornecerá o máximo de benefícios e assegurará alto retorno do investimento.

3- Identificar Funções
Em consequência ao objetivo maior de um Projeto RCM de " Preservar as Funções do sistema" os analistas RCM são imcubidos de definir uma lista completa de Funções dos Sistema. As funções do sistema conduziriam então as funções exigidas do equipamento suportando as funções do sistema.(Dica: Geralmente a saída do sistema captura a Função do Sistema; consequentemente, toda interface de saída poderia ser convertida em uma indicação de Função). É desejável começar a indicação da função com um verbo (Bombear água, Fornecer alarme,etc).É também recomendável especificar os níveis aceitáveis de desempenho desejado pelo usuário do recurso ao contrário do desempenho real que pode refletir uma função operacional ou de manutenção.

Lembre-se que indicações de funções não são sobre que tipo de equipamento está dentro do sistema e consequentemente o uso de nomes de equipamentos para descrever funções do sistema que devem ser evitados. Cometer erros em relação a isso, conduz a uma falácia do objetivo da manutenção que é a proteção do equipamento. Por exemplo, a indicação da função como "Manter um fluxo de Carga de 500 gpm" seria mais indicada do que "Fornecer uma bomba centrífuga que entregue 500 gpm."

A definição da Função deve ser tão quantitativa quanto possível.Por exemplo, a função não deveria ser definida como "Produzir tantas unidades quanto possível,"mas sim como " Produzir uma quantidade de 25 unidades com um mínimo de 22 unidades em um turno de 8 horas." Torna-se difícil decidir estratégias de manutenção ou manter pessoas envolvidas na responsabilidade da manutenção por não encontrarem objetivos da manutenção quando os objetivos não estão precisamente definidos. Definições qualitativas, d e qualquer forma, necessárias em algumas circunstâncias.Por exemplo, definir funções estéticas com termos exatos é muito difícil e consequentemente palavras como " Deve ser aceitável" ou " Parece atrativo" podem ser usadas; entretanto, deve existir um entendimento e um consenso comum sobre o que tais definições significam.

Algumas definições de funções são absolutas (ex. "Conter líquido", onde nenhum escapamento é aceitável) enquanto outros são variáveis (ex." Remover partículas não desejáveis de 100 microns do ar.").A equipe RCM deve ser cuidadosa em usar definições absolutas quando definições variáveis são mais apropriadas.

Conclusão
Este artigo apresentou os três primeiros passos básicos de um Programa RCM,que são as etapas exigidas para assegurar que um projeto RCM será iniciado em um bom caminho.Um artigo HotWire no próximo mês irá discutir os passos restantes.

Referências
ATA MSG-3 "Operator/Manufacturer Scheduled Maintenance Development," updated in March 2003.
Moubray, John, Reliability-centered Maintenance, Industrial Press, Inc., New York City, NY, 1997.
Nowlan, F. Stanley and Howard F. Heap, Reliability-Centered Maintenance. Issued in December, 1978.
SAE JA1012 “A Guide to the Reliability-Centered Maintenance (RCM) Standard,” issued in January 2002.
Smith, Anthony, Hinchcliffe, Glenn R., RCM - Gateway to World Class Maintenance, Elsevier Inc, Burlington, MA, 2004.
 

 

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Última Alteração: 17-10-06
 

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