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Passos Básicos para
aplicar Confiabilidade Centrada na Manutenção (RCM)
– Parte I
Em edições anteriores da Reliability HotWire
abordamos a filosofia e a perspectiva que a
Confiabilidade Centrada na Manutenção (RCM) traz para o
campo da manutenção. Este artigo começa apresentando o
processo de análise do sistema que é usado para
implementar o programa RCM.
Embora exista uma
grande variedade de aplicações do RCM, a maioria dos
procedimentos incluem alguns ou todos os sete passos
mostrados abaixo:
- Preparação para a Análise
- Seleção do equipamento a ser analisado
- Identificar Funções
- Identificar Falhas Funcionais
- Identificar e
Avaliar (Categorizar) os efeitos de Falhas
- Identificar a
causa das Falhas
- Selecionar tarefas de Manutenção
Este artigo irá
discutir os três primeiros itens, os quais são os passos
preliminares que precisam ocorrer para empreender o
Projeto de Análise RCM.
1- Preparação para
Análise
Preparando uma Equipe
Como em quase todo
projeto, alguns trabalhos preliminares e um planejamento
meticuloso serão exigidos antes de se iniciar uma
Análise RCM. Uma das primeiras etapas no
procedimento da análise é montar uma equipe apropriada
de indivíduos conhecedores para executar a análise. As
equipes de análise mais eficientes e efetivas são
multifuncionais, com representantes específicos para as
diversas áreas. O tamanho adequado da equipe poderia ser
(tipicamente de 4 a 5 pessoas) porém acima disso já não
é recomendável. Pelo menos um responsável da manutenção
deve fazer parte do grupo.RCM é um processo diferenciado
que exige uma compreensão dos recursos, sendo
considerados pelo RCM a finalidade dos recursos e o
impacto de mau funcionamento dos mesmos. O objetivo é
formar uma equipe de profissionais qualificados para uma
análise efetiva sem deixar de lado recursos valiosos
e/ou fazer reuniões incontroláveis.
Um facilitador é
recomendado para assegurar que a Análise de RCM seja
realizada de maneira adequada, para que nenhum item
importante seja negligenciado e para que os resultados
das Análises sejam gravados corretamente. Um facilitador
também controla assuntos entre os membros da equipe e
ajuda os a alcançar um consenso de uma forma ordenada
assim como a retenção do compromisso dos membros e a
permanência deles de forma acoplada.
Estabelecendo
Regras e Discutindo Planos
Identificar e Documentar regras e suposições que serão
seguidas durante a análise pode facilitar o processo de
análise certificando-se que todos membros da equipe de
análise tenha entendido e concordado com as condições de
análise estabelecidas. Os assuntos a serem discutidos na
fase de preparação do projeto podem incluir o
estabelecimento dos objetivos do Projeto RCM, assuntos
controlados pelo responsável do projeto e recursos
exigidos para realizar o projeto (tais como programação
e orçamento, procedimento de reuniões, relatórios, como
fazer recomendações,mão-de-obra, ferramentas,
consultores, softwares e salas de reuniões) e a
previsão, tanto quanto possível mas sem surpresas com
os obstáculos que irão surgir durante o projeto
(resistência da companhia e corte de compras, falta de
dados, burocracia, falta de liderança e compromisso, etc).
Desenvolver um plano com visão viável para o futuro e
guiá-lo é a missão!
2- Seleção do
Equipamento a ser Analisado
Espaço de Análise
A equipe RCM tem que enxergar uma decisão sobre o nível
de recursos em que a análise deve ser conduzida(ex.partes,
componentes, subsistema, sistema ou planta)
e se planta/facilidades deve ser considerada pelo RCM.
Considerar o início de sua Análise RCM a nível de
sistema é um bom começo para depois então expandir a
análise a partir desse ponto.Tipicamente, o sistema é
considerado um ponto de partida lógico para as análises
desde que eles contribuam na construção dos blocos para
plantas/facilidades.Devido RCM está focado na
preservação da função do equipamento, executar a análise
a nível de sistema, onde geralmente as funções são
derivadas é um bom caminho. Centrar-se em níveis
abaixo do nível de sistema (ex. componentes) limita a
visibilidade para as análises e enfatiza o significado
da Falha, especialmente quando componentes suportam
múltiplas funções. Outro fator também seria comparar
modos de falhas e tornar recursos prioritários mais
úteis e práticos se a análise começar mais a nível de
sistema do que de componente,os quais podem ter somente
alguns modos de falha.
A sugestão de começar a
análise a nível de sistema pode não funcionar para todo
mundo, é claro. Dependendo da complexidade do sistema,
confinamentos e outros fatores que podem ser únicos para
sua aplicação e recurso, outros níveis serão mais
apropriados para serem um ponto de partida.
Limites do
Sistema
Selecionar o equipamento a ser analisado também envolve
definir os limites do sistema.Definir limites do sistema
ajuda especificar precisamente o que está incluído ou
não no sistema de modo que uma lista exata e completa de
componentes possa ser identificada visto que uma
sobreposição com listas de componentes de outros
sistemas (especialmente sistemas adjacentes ou sistemas
afetados por componentes em outros sistemas)pode
acontecer. Mais importante ainda é que os limites ajudam
a determinar entradas, saídas e funções do sistema.
Descrição do
Sistema
Uma vez que o equipamento a ser analisado foi
selecionado então é hora de descrevê-lo. Identificar e
documentar os detalhes essenciais do sistema é
necessário a fim de executar as etapas restantes de uma
maneira tecnicamente sadia. Descrever o sistema ajuda os
analistas a obterem um conhecimento compreensível do
sistema. Uma descrição bem documentada do sistema irá
ajudar a gravar uma definição exata de base de
linha do sistema como foi durante a análise (isso também
é útil porque o sistema pode ser atualizado e modificado
com o tempo).Uma descrição do sistema pode também
assegurar que o analista identificou um projeto crítico
e parâmetro operacionais que podem ser um ponto chave em
delinear a degradação ou perda de funções exigidas pelo
sistema.
Descrições de Sistema
devem incluir:
Diagrama de Blocos
Funcionais, hierarquias e componentes defeituosos,
interfaces de entrada/saída, diagramas esquemáticos
elétricos, condições ambientais, especificações de
projeto, histórico de equipamentos (especialmente
informações relacionadas as Falhas), definições de
falhas que serão seguidas durante as análises, manual de
operações, planos de manutenções anteriores,
especificações do ambiente operacional para equipamentos
e qualquer suposição que poderá afetar a análise.
Seleção do
Equipamento
Uma vez estabelecido o nível da análise, o sistema do
candidato que tiraria proveito da maioria dos programas
de manutenção será identificado e priorizado.
Vários critérios, tais como segurança, considerações
econômicas e legais podem ser usados para determinar os
benefícios obtidos da manutenção.
Vários métodos de
seleção de equipamentos estão disponíveis.Uma opção
seria avaliar registros de manutenção (número de falhas,
horas de indisponibilidade, custo de perda de produção,
problemas de segurança,etc) para períodos estabelecidos
(ex. 1 ou 2 anos). A regra 80/20 indica que a maioria
(80%) dos problemas em plantas ou sistemas podem ser
atribuídos em alguns (20%) aos equipamentos vitais, por
isso é importante priorizar assuntos em suas plantas
antes de colocar o plano em prática.
Outra opção seria aplicar um método de seleção de
perguntas
predefinidas
, por exemplo a diretriz MSG-3 (utilizada nas indústrias
de aviões) propôs quatro perguntas:
- Seria possível não
identificar ou improvável, detectar falhas pelo
grupo operacional durante atividades normais de
execução?
- A falha poderia
afetar a segurança (na terra ou no vôo) incluindo
equipamentos ou sistemas de segurança/emergência?
- A falha poderia
ter um impacto operacional significante?
- A falha poderia
ter um impacto econômico significante?
Responder "Sim" a pelo
menos uma das perguntas acima exige uma análise
detalhada do equipamento.
Outro método, chamado
Método do Fator Criticidade, consiste em delinear
fatores de projeto para avaliar a criticidade do
equipamento em termos de segurança, manutenção,
operações, impactos ambientais, controle de qualidade e
outros fatores. Cada fator é avaliado de acordo com uma
escala predefinida (ex. 1 a 5 ou 1 a 10)
onde maiores valores correspondem criticidades elevadas.
Os valores de criticidade combinados podem ser usados
como um sistema de classificação para diferentes tipos
de equipamentos ou para ser comparado com um ponto
inicial a fim de decidir se o equipamento será então
parte da Análise RCM.
Independente do método
(ou combinação de métodos) selecionado, o objetivo das
tarefas é fornecer uma aproximação sistemática para
focar os recursos de Análise RCM no equipamento que
fornecerá o máximo de benefícios e assegurará alto
retorno do investimento.
3- Identificar
Funções
Em consequência ao objetivo maior de um Projeto RCM de "
Preservar as Funções do sistema" os analistas RCM são
imcubidos de definir uma lista completa de Funções dos
Sistema. As funções do sistema conduziriam então as
funções exigidas do equipamento suportando as funções do
sistema.(Dica: Geralmente a saída do sistema
captura a Função do Sistema; consequentemente, toda
interface de saída poderia ser convertida em uma
indicação de Função). É desejável começar a indicação da
função com um verbo (Bombear água, Fornecer alarme,etc).É
também recomendável especificar os níveis aceitáveis de
desempenho desejado pelo usuário do recurso ao contrário
do desempenho real que pode refletir uma função
operacional ou de manutenção.
Lembre-se que
indicações de funções não são sobre que tipo de
equipamento está dentro do sistema e consequentemente o
uso de nomes de equipamentos para descrever funções do
sistema que devem ser evitados. Cometer erros em relação
a isso, conduz a uma falácia do objetivo da manutenção
que é a proteção do equipamento.
Por exemplo, a indicação da função como "Manter um fluxo
de Carga de 500 gpm" seria mais indicada do que
"Fornecer uma bomba centrífuga que entregue 500 gpm."
A definição da Função
deve ser tão quantitativa quanto possível.Por exemplo, a
função não deveria ser definida como "Produzir tantas
unidades quanto possível,"mas sim como " Produzir uma
quantidade de 25 unidades com um mínimo de 22 unidades
em um turno de 8 horas." Torna-se difícil decidir
estratégias de manutenção ou manter pessoas envolvidas
na responsabilidade da manutenção por não encontrarem
objetivos da manutenção quando os objetivos não estão
precisamente definidos. Definições qualitativas, d e
qualquer forma, necessárias em algumas
circunstâncias.Por exemplo, definir funções estéticas
com termos exatos é muito difícil e consequentemente
palavras como " Deve ser aceitável" ou " Parece
atrativo" podem ser usadas; entretanto, deve existir um
entendimento e um consenso comum sobre o que tais
definições significam.
Algumas definições de
funções são absolutas (ex. "Conter líquido", onde nenhum
escapamento é aceitável) enquanto outros são variáveis
(ex." Remover partículas não desejáveis de 100 microns
do ar.").A equipe RCM deve ser cuidadosa em usar
definições absolutas quando definições variáveis são
mais apropriadas.
Conclusão
Este artigo apresentou os três primeiros passos básicos
de um Programa RCM,que são as etapas exigidas para
assegurar que um projeto RCM será iniciado em um bom
caminho.Um artigo HotWire no próximo mês irá discutir os
passos restantes.
Referências
ATA MSG-3 "Operator/Manufacturer Scheduled Maintenance
Development," updated in March 2003.
Moubray, John, Reliability-centered Maintenance,
Industrial Press, Inc., New York City, NY, 1997.
Nowlan, F. Stanley and Howard F. Heap,
Reliability-Centered Maintenance. Issued in December,
1978.
SAE JA1012 “A Guide to the Reliability-Centered
Maintenance (RCM) Standard,” issued in January 2002.
Smith, Anthony, Hinchcliffe, Glenn R., RCM - Gateway
to World Class Maintenance, Elsevier Inc, Burlington,
MA, 2004.
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