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Análise de Testes de Vida
Acelerados com Modos de Falhas Competindo
Os testes acelerados que
rendem uma mistura de modos de falhas, têm incomodado por muito tempo os
analistas de confiabilidade. Muitas vezes quando tratamos com dados de
vida acelerados, todas as falhas, indiferente de suas causas ou qual
parte do produto ela afetou, são consideradas apenas uma
categoria - falhas. Esta forma não permite distinguir entre os modos de
falhas e tratá-los separadamente. Também, juntando todos os tipos de
falhas em um, pode conduzir à uma violação de uma suposição dos teste de
vida acelerados, o parâmetro de forma constante.
Este exemplo apresenta uma
aproximação simples para analisar dados de teste de vida acelerados, com
modos de falhas competindo, usando o
ALTA,
Weibull++ e
BlockSim.
Exemplo
O tabela seguinte mostra os tempo de falhas, para cada diferente
nível de estresse, de um produto que têm dois modos de falhas: A e B.
Tabela 1 - Dados de Falhas
(em horas) Obtidas em um Teste Acelerado de um Produto com dois Modos de
Falhas
| Temperatura = 300K |
Temperatura=350K |
Temperatura=400K |
150 310 393 409 421 425 459 510 512 558 568 580 615 616 618 629 646 667 738 815 |
A A A A B B B B A B B B B A B B B B B B | |
65 88 107 142 190 191 290 301 310 315 330 343 401 460 531 |
A A A A B A A A B A A B B B A | |
21 48 55 56 81 82 89 155 160 164 200 212 215 225 290 |
A A A A A A A B B A B B B A B | |
Os tempos até falha são assumidos seguir uma
distribuição Weibull. A condição de uso normal é dada pela Temperatura = 290K.
Primeiramente é realizado
uma verificação simples sobre a suposição do parâmetro de forma ser
constante, que indica a forma de falhas das unidades/componentes
através dos diferentes níveis de estresse, pois em um teste acelerado
"apropriadamente delineado e conduzido", é esperado que o comportamento
da taxa de falha observado no teste seja similar aos encontrados em
reais condições de uso, mas em um tempo reduzido. Para distribuição
Weibull, o parâmetro de forma é β, e para distribuição
lognormal, o parâmetro da forma é o log-std, σT.
É utilizado uma
aproximação gráfica, gráficos de contorno, para verificar a suposição do
parâmetro de forma constante. Os gráficos de contornos são
representações gráficas das possíveis soluções à equação de razão de
verossimilhança; mostra a variação das estimativas do parâmetro para um
determinado nível da confiança. É inserido o conjunto de dados para cada
nível de estresse à uma planilha de dados diferente e ajustado uma
distribuição para cada um deles. Então é construído os gráficos de
contornos dos parâmetros estimados de cada conjunto de dados de
diferentes níveis de estresse utilizando o Weibull++ 7. Neste exemplo, a
distribuição Weibull é ajustada ao conjunto de dados.



Figura 1 - Dados de Falhas da
Tabela 1 inseridos no Weibull++ 7
Note que nas figuras acima,
os modos de falhas A e B não estão separados (isto é, não tratados
diferentemente). O único evento que modelado é a Falha
(indiferente se é uma falha de A ou de B). Os gráficos de contorno com
85% de confiança, que mostram a variação na estimativa do parâmetro em
um determinado nível da confiança, são mostrados em seguir.

Figura 2 - Gráfico de
Contorno dos Dados de Falhas (A e B não separados) na Tabela 1
O gráfico acima revela
que a suposição do parâmetro de forma ser constante foi violada, isto é,
não é o mesmo para os diferentes níveis de estresse. (De qualquer forma,
para concluir se
β é o mesmo em níveis diferentes de estresse, deve-se tentar
extrair uma linha horizontal que cruza com todos os gráficos de
contorno. Se nenhuma linha existir, estão eles são considerados ser
diferentes). Como não é possível prosseguir com a suposição de parâmetro
de forma comum, é necessário considerar métodos alternativos de análise.
Neste exemplo, como é conhecido dois modos de falha no conjunto de
dados, nós podemos separar os dados para cada modo e verificar se cada
modo provém de um parâmetro de forma comum em cada nível de stress.
(Note que, mesmo se o parâmetro de forma for constante através dos
diferentes níveis de estresse, ainda é recomendado separar os dados por
modos de falhas).
A fim começar a analisar
o conjunto de dados com mais de um modo de falha competindo, deve-se
executar uma análise separada para cada modo de falha. Durante cada uma
destas análises, os tempos de falhas para todos os modos de falha
restantes que não estão sendo analisados, são considerados ser
suspensões. Isto é, as unidades sob o teste falhariam em algum momento
no futuro devido ao modo de falha que está sendo analisado, se o modo,
não analisado, não ocorrer. Assim, neste caso, a informação disponível é
que o modo sob consideração não ocorreu e a unidade sob a consideração
acumulou o tempo do teste sem uma falha devido ao modo sob a
consideração (ou seja, a unidade é uma suspensão do ponto da vista desse
modo de falha). Por exemplo, os dados utilizados para analisar o modo de
falha B na temperatura = 300K, são como a seguir (note que A é tratado
como suspensão).

Figura 3 - Dados de Falha
para o Modo B à Temperatura = 300K, Usado para Obter o Modelo de
Falha para o Modo de Falha B
A figura seguinte mostra os
gráficos de contorno para cada nível de estresse quando os modos de
falha de A e B são tratadas separadamente.


Figura 4 - Gráfico de
Contorno dos Modos de Falhas A e B Tratados Separadamente
O gráfico acima, mostra que a
suposição do parâmetro de forma (β) ser constante, é válida
para o modo de falha B, se separado os modos de falhas.
Continuando a análise
utilizando o software ALTA, que contém modelos que podem ser usados
para fazer inferências estatísticas sobre a confiabilidade do produto ao nível
normal de uso (Temperatura=290K). Como mencionado acima, a forma apropriada
para tratar os dados de falha que contêm diferentes modos de falha é
separando a análise para cada modo de falha e obter uma
distribuição de falha para cada modo de falha.
Os modos de falhas são
separados de acordo com a aproximação descrita acima. A figura seguinte
mostra os dados de falha para A e B inseridos no software ALTA. Os dados são
analisados usando o modelo de estresse-vida Arrhenius, que é apropriado quando o
estresse é de natureza térmica, enquanto a distribuição Weibull é usada como a distribuição
da vida. Note que, devido à limitação do tamanho da janela, as figuras
abaixo mostram somente uma parcela dos dados.


Figura 5 - Dados de Falhas do
Teste Acelerado para os Modos de Falhas A e B (Analisados Separadamente)
O gráfico seguinte mostra os
modelos de confiabilidade separados para cada modo de falha ao
nível de estresse de uso.

Figure 6 - Reliability Plots for Failure Modes A and
B
Uma vez que a análise
separada para cada um modo foi terminada, a equação
de confiabilidade resultante para o produto, com todos seus modos
de falha é o produto da equação de confiabilidade para cada modo,
ou:
| R(t)=R1(t).R2(t).....Rn(t)
|
(1) |
onde n é o número total
dos modos de falhas considerados. Isto é uma regra da confiabilidade de
sistemas, com componentes em série independentes estatisticamente, que indica que a confiabilidade para um sistema
em série
é igual ao produto dos valores da confiabilidade de todos os componentes
que compreendem o sistema.
é utilizado a equação do
sistema, Eq. (1), para obter a confiabilidade do
produto considerando todos os modos possíveis de falhar.
Neste exemplo:
Se fosse utilizar a
equação acima para estimar a confiabilidade em condições normal de uso,
então necessitaria primeiramente obter os parâmetros de RA
e
RB para condição de nível de uso. É utilizado o Function
Wizard na General Spreadsheet do ALTA para obter o
parâmetro η para a temperatura usual de 290K. Para o modo de falha de A:

Figura 7 - Utilizando o Function Wizard do ALTA para Obter o
Parâmetro
η à Condição Normal de Uso
O valor 1423.4041 é
mostrado na célula. Desde que a suposição do parâmetro de forma ser
válida (veja Figura 4), o parâmetro β é suposto ser o mesmo
para os diferentes
níveis de estresse utilizados. Portando, β para temperatura =
290K deve ter o mesmo valor estimado na Figura 5. Assim:
ηA 290 =
1423.4041 hrs
βA
290 = 1.5362
Com uso similar, é obtido o
parâmetro da distribuição Weibull para o modo de falha B à condição
normal de uso.
ηB 290 =
750.1948 hrs
βB 290
= 4.8053
Agora pode-se utilizar a Eq.
(2) ou seus diagrama de blocos de confiabilidade (RBD) equivalentes, mostrados
na Figura 8, para estimar a R(t) na condição normal de uso.

Figura 8 - Modos de Falhas
Competindo em uma Representação Gráfica
O RBD acima pode ser criado
no BlockSim 7 (ou no Weibull++ 7). Os parâmetros da
distribuição Weibull dos modos A e B, para
condição normal de uso, são inseridos como a seguir.


Figura 9 - Inserindo os
Parâmetros da Distribuição
Weibull de A e B para Condição Normal de Uso
O gráfico de confiabilidade seguinte, mostra a confiabilidade do produto
para os ambos tipos de modos de falha, obtido baseado no RBD na Figura 8.

Figura 10 - Confiabilidade
para Condição Normal de Uso
Conclusão
Este exemplo apresentou uma aproximação
simples para tratar os dados de vida acelerados, que contêm
diferentes modos de falha. Ele realça sobre o procedimento
geralmente utilizado quando todos os modos de falhas são tratadas como
"iguais" e a causa da falha é ignorada. Utilizando os conceitos
de modos de falhas competindo e de confiabilidade de sistemas, é
possível derivar
distribuições de falha para cada modo de falha e combinar as
distribuições para obter um modelo de confiabilidade para o produto. Foi
mostrado também como separar os dados de modos de falhas para ajudar
na análise do teste de vida acelerado referente a violação da suposição
do parâmetro de forma ser constante, que é a base para fazer as inferências baseadas em testes acelerados.
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